O fim da era dos discos?

19 01 2010

Eu defendo e sou a favor da troca de músicas pela internet.

Não vejo razão nos artistas que esgoelam contra o compartilhamento, a favor do moribundo Compact Disc, uma das maiores aberrações do mercado fonográfico na história.

Aberração que durou 20 anos, mesmo que quase nenhum CD tenha durado todo este tempo para contar a história, já que são feitos de um material sensível, desde a caixa até o disco.

Nada é melhor do que poder ouvir novas e boas músicas sem o controle da indústria e do mercado, baixar, trocar, distribuir músicas de qualidade, para um público muito maior, mais inteligente, mais espontâneo.

Pena que nem todo mundo pense assim. Sorte nossa que bandas como Radiohead pensam.

Mas um dos maiores produtores da música atual, Brian Eno, deu a seguinte declaração, copiada do blog Ilustrada no Pop:

“Eu acho que os discos foram apenas uma pequena bolha no tempo, e aqueles que conseguiram viver deles por um tempo tiveram sorte.  Não há razão por que alguém deveria ter conseguido tanto dinheiro com a venda de discos, só o fato de que tudo deu certo nesse período específico de tempo. Sempre soube que isso se esgotaria cedo ou tarde. Não poderia durar, e agora está se esgotando. Particularmente, não me importo que esteja, gosto do jeito como as coisas estão acontecendo. A era dos discos foi apenas uma piscadela. Era mais ou menos como se você tivesse uma fonte de gordura de baleia nos anos 1840 e ela pudesse ser usada como combustível. Antes de surgir a gasolina, se você negociava gordura de baleia, você era o homem mais rico da Terra. Aí a gasolina apareceu e você ficou encalhado com sua gordura de baleia. Sinto muito, companheiro – a história não para. Música gravada é igual à gordura de baleia. Eventualmente, algo vai substituí-la.”

Brian Eno, em boa entrevista ao “Guardian”.

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Fim de papo

18 01 2010

Deu no site Música e Mercado.

Fim da carteira obrigatória da OMB

Uma boa notícia para os músicos. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu, por unanimidade, a proibição da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) fiscalizar os músicos bem como exigir a inscrição na entidade.

O Acórdão garante aos músicos do Estado de São Paulo o direito de exercício da profissão, sem necessidade de prova, inscrição na OMB e sujeição ao regime disciplinar específico. O Acórdão destaca, entre outros pontos, que “a Lei nº 3.857/60 não exige o registro na OMB de todo e qualquer músico para o exercício da profissão, mas apenas dos que estão sujeitos à formação acadêmica sob controle e fiscalização do Ministério da Educação”.

“De agora em diante os músicos do estado de São Paulo não podem mais ser fiscalizados pela OMB e nem tampouco ter a obrigatoriedade da inscrição na mesma”, disse Giannazi em seu pronunciamento na Assembléia Legislativa de São Paulo.

Giannazi fez também uma representação no Ministério Público Federal pedindo a suspensão de vários artigos da Lei 3857/60 – que criou a Ordem dos Músicos do Brasil. Depois de julgada pelo Supremo, a ação pode passar a valer em todo o território nacional, desobrigando músicos da inscrição na entidade.

O Acórdão está disponível no site do Tribunal Regional Federal (www.trf3.jus.br). Para quem quiser consultar na íntegra, o número do processo é 2005.61.15.001047-2.

Nota do blog: Esta é, quem sabe, uma das maiores vitórias políticas da classe musical em anos. Mas não podemos esquecer que a OMB foi derrotada no processo, mas continua com a mesma estrutura e basicamente com os mesmos grupos políticos. Mesmo sem Wilson Sandoli, ainda há muito a fazer.

Agradecimentos a Débora Costa e Silva pela dica.






Bruna Caram e o Feriado Pessoal

27 08 2009




Michael Joseph Jackson (1958 – 2009)

26 06 2009

MJ

Eu perdi o maior ídolo da minha vida nesta quinta-feira. Nunca havia ficado tão triste com a morte de um artista.

Michael Joseph Jackson esteve presente em todos os melhores momentos da minha vida, desde que, ainda aos 8, me encantei com aquele sujeito estranho dançando e cantando como ninguém, na televisão.

Imediatamente comecei a imitar seus passos. A fazer apresentações nas tantas festas de família. Ao lado de meus primos, eu era o próprio líder do Jacksons Five.

Era sua última visita ao Brasil para um show. Em São Paulo, no Morumbi. E eu havia recém descoberto o grande artista da música pop. Tarde demais.

Desde então, passeei por sua carreira como se ele estivesse dividindo seus sentimentos comigo.

A braveza e atitude de bad, a sensibilidade de Gone Too Soon e Just Can’t Stop Loving You, as mensagens tocantes de Heal The World, Man In The Mirror e Will You Be There, quando ele deixava escapar: “I am only human”.

Confesso, gostava mais das baladas. De suas tentativas de mobilizar o mundo, muito antes dos artistas de cinema.

Lembro do velho vinil de Bad, descoberto no porão da casa de minha avó, que servia de base de apresentações entre os primos.

Em uma dessas, me apresentei enrolando um Beat It, com direito a coreografia, mas fui engolido pela minha própria timidez em Heal The World, talvez sua canção mais bonita. Cantei de costas. E ele deve estar rindo disso agora.

Foi o artista que eu mais ouvi, que mais admirei, que mais tive vontade de ver ao vivo.

E adoeci com ele a cada vez que a mídia o castigava.

Ele, que praticamente criou o pop, sentou em seu trono muito jovem, teve de abrir mão de sua infância por imposição de um pai cruel, mas depois que assumiu o controle de sua vida, decretou: serei criança pelo resto de meus dias.

Defendi Michael de todas as acusações feitas por pais oportunistas, que viam nele uma oportunidade de ganhar dinheiro.

E admirava sua atenção com as crianças. Para mim, sempre, sem malícia. Uma admiração verdadeira. Infantil.

A mídia onde estava? A favor dos calhordas. Como sempre. Esperando a queda do Rei.

Não, o jornalismo moderno não merece nenhuma lembrança na trajetória de Michael Jackson.

Pois o empurrou para a solidão, questionou seus costumes, vasculhou sua vida, invadiu seu coração, e o que encontrou? nada.

Os fãs, que sentiam nas músicas do Rei do Pop a autenticidade e sinceridade que tanto faltam no resto do mundo, nunca o deixaram de lado.

Repetiam, com ele: You Are Not Alone. I Believe In You. Don’t Fall Apart. You’re Always In My Heart.

E foi por eles que ele se propôs a retornar. Com 50 shows, esgotados em poucos minutos. 850 mil testemunhas. Não deu tempo.

O sétimo filho da família Jackson era uma pessoa de coração enorme. Que, no auge de sua popularidade, sofreu com problemas de saúde.

Quando mais execraram sua imagem, ele fez a maior turnê que se tem notícia: a Dangerous Tour. Com todos os ingressos esgotados em todos os cantos do planeta. Essa é a crise contada por todas as suas retrospectivas.

Hoje, seus discos voltaram à lista dos mais vendidos do mundo. Na verdade, mais de 300 milhões de cópias já foram vendidas com o nome do King of Pop na capa. O maior da história humana.

A mídia não conseguiu apagar, e sequer arranhar, Michael Jackson. Nem poderá compreender a pessoa sensível que este Deus da música foi em vida.

Amado por todos que o conheciam, deixa uma lacuna enorme, que um mundo como o nosso não poderá preencher.

Quando seu coração parou de bater, cansado de lutar, um pouco de mim também se perdeu.

Sem Michael, será muito, mas muito mais difícil, curar este mundo.





13 mil pessoas, uma praça, uma música

25 05 2009

Aconteceu na Trafalgar Square, em Londres.

Uma empresa de tecnologia resolveu inovar em sua nova publicidade.

Enviou convites pela internet para seus clientes da cidade, do tipo: me encontre em Trafalgar Square, no dia 04 de maio de 2009, às 14 horas.

Espontaneamente, 13,5 mil pessoas reuniram-se na praça, já equipada com imensos telões.

Microfones foram distribuídos, o telão se acendeu.

E as mais de 13 mil pessoas cantaram juntas o hino “Hey, Jude”, dos Beatles.

O resultado é simplesmente demais.





We Are Hunted – As 99 mais da internet

21 05 2009

A internet, hoje, tem espaço cada vez mais importante na música do que qualquer outro meio de comunicação.

É nela que acontece a revolução que afeta toda a indústria fonográfica e que muda os parâmetros do segmento.

Por isso, um ranking de mais baixadas, citadas e tocadas na grande rede é tão importante.

O We Are Hunted usa o Twitter e as redes de troca de arquivos para compor o ranking das 99 mais baixadas da internet.

E não é só isso, você pode ouvir, uma por uma, filtrar por artistas, escolher quem está emergindo, quem tocou mais na semana e no mês.

É um exercício que vale a pena ouvir a sessão Emerging, que mostra os artistas que brotam na grande rede a cada semana, a cada mês, os artistas que se relacionam com a música, os fenômenos de amanhã e de hoje da grande rede.

A última grande novidade é o Passion Pit, líder dos emergentes do mês, e que faz da tecnologia uma parede sonora poderosa e criativa.

Vale a pena procurar nos blogs e sites por aí.

Chega de papo, corram lá: We Are Huntedhttp://wearehunted.com





Folha diz que qualidade do vinil é superior ao do CD

13 05 2009

vinil2Fatos são fatos, como diria o outro.

Eu ainda sou daqueles que babam por um disco de vinil nos sebos por aí.

E me deslumbro ainda mais quando vejo que as gravadoras estão retomando o formato.

Ou seja, já é possível comprar nas lojas exemplares novinhos em folha. “Zerinho”, como diria meu avô.

Mas não é só isso. O mercado tende a crescer.

O que levou a Folha de S.Paulo a fazer um teste. O CD, que chegou ao mercado como revolução tecnológica, tem mais qualidade de som que o vinil?

E convidou Edgard Scandurra, Marcus Preto e Tejo Damasceno para o teste.

A resposta? Não.

Em todas as audições, comparando o áudio de discos de João Bosco a Chico Science e Nação Zumbi, passando ainda por AC/DC, os três preferiram o som do vinil.

Se o CD está sendo substituído pela música virtual, azar dele. Porque o vinil está vivo como sempre.

Acesse a matéria completa aqui!